A louça estava suja na pia e o suor corria pela minha testa. Enquanto pensava em quantos copos ainda viriam pela frente, quantos copos eu teria que ensaboar, ouvia o choro da criança no quarto. O choro. E ele ia se distanciando em uma velocidade ínfima - O choro, onde está o choro?
A porta se abriu, o barulho do chaveiro do João batendo na porta. Acho que acordei naquele momento. O vento balançou a cortina da sala, deixando entrar uma folha que voou até mim. João beijou meu rosto segurando a minha cintura – Estou suada, João... Estou suada!... Mas ele pareceu não se importar. Entrelaçou-se em mim e limpou meu suor, tirando o avental que protegia a roupa nova que esqueci de tirar antes de começar os afazeres. João não percebeu e disse que eu estava linda suada, que o suor me fazia brilhar. E eu fechei os olhos, sentindo as mãos dele percorrendo o meu rosto, enquanto ouvia o vento balançando as folhas das árvores na rua.
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